Sobre

 

Quem decide o que a inteligência artificial cria, ensina e reproduz?

O GEIA nasce na ECA/USP para enfrentar essa pergunta de frente. Não somos um laboratório de entusiastas da tecnologia nem um grupo que somente denuncia seus males. Somos pesquisadores, estudantes, educadores e ativistas que acreditam que é preciso abrir a caixa-preta — entender como funciona, identificar a quem serve e experimentar outros caminhos possíveis. Coordenação: Leonardo Foletto e Júlio Colabardini, professores do Departamento de Comunicação e Artes da ECA/USP. Espelho do grupo no Diretório Capes.

Nosso trabalho se organiza em dois eixos (linhas) de pesquisa:

LINHA 1: PROCESSOS CRIATIVOS E EXPERIMENTAÇÃO EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

_ Investigar práticas criativas e experimentais com sistemas de IA generativa em contextos comunicacionais e culturais, analisando como artistas, designers, comunicadores e criadores do Sul Global negociam agência, autoria e sentido em processos de co-criação humano-máquina.
_ Desenvolver metodologias e protocolos de uso crítico e ético de IA generativa em produção cultural, fundamentados em princípios de transparência algorítmica, consentimento de dados e compensação justa, que possam ser replicados por coletivos, organizações e criadores independentes.
_ Mapear e documentar experimentações contra-hegemônicas com tecnologias de IA que incorporem epistemologias não-ocidentais, práticas de cultura livre e resistência ao extrativismo de dados, contribuindo para construção de alternativas tecnopolíticas ao modelo corporativo dominante.

LINHA 2: COMUNICAÇÃO E EDUCAÇÃO EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

_ Desenvolver e testar metodologias educomunicativas de alfabetização crítica algorítmica que capacitem educadores, estudantes e comunidades para compreender funcionamentos técnicos, vieses incorporados e arranjos de poder de sistemas de IA, promovendo desalienação técnica e autonomia digital.
_ Investigar como sistemas de IA generativa estão sendo apropriados e utilizados em contextos educacionais brasileiros, analisando impactos sobre práticas pedagógicas, relações de ensino-aprendizagem, concepções de autoria e desenvolvimento de pensamento crítico.
_ Produzir e disseminar recursos educomunicativos abertos (guias, oficinas, materiais didáticos, visualizações) sobre IA crítica, direcionados a diferentes públicos (educação básica, ensino superior, educação popular, formação de professores), fundamentados em pedagogias participativas e situadas no contexto do Sul Global.
_ Formação integrada pesquisa-ensino-extensão: Criar ambiente de aprendizagem situada que articule sistematicamente atividades de pesquisa (investigações empíricas de sistemas de IA), ensino (disciplinas de graduação e pós-graduação) e extensão (oficinas, cursos, formações), capacitando estudantes, educadores, comunicadores, artistas e ativistas em literacia crítica algorítmica;

OBJETIVOS

_ Produção de conhecimento aplicado e ciência aberta: produzir e disseminar publicamente, sob princípios de ciência aberta e cultura livre, materiais aplicados que democratizem conhecimento crítico-técnico sobre IA: guias metodológicos, relatórios, tutoriais de uso crítico, protótipos de ferramentas e materiais didáticos para diferentes níveis educacionais;

_  Incidência em políticas públicas e divulgação científica: contribuir para debates públicos e formulação de políticas sobre regulação de IA no Brasil através de participação em audiências e consultas públicas; produção de policy briefs; articulação com movimentos sociais e organizações da sociedade civil; e manutenção de canal permanente de divulgação científica (site, newsletter, redes sociais) que traduza conhecimento acadêmico para públicos amplos;

_ Investigar empiricamente como sistemas de IA generativa estão reconfigurando processos de criação, circulação e recepção em diferentes setores culturais e comunicacionais – incluindo produção textual (jornalismo, literatura), visual (design, artes visuais) e sonora/musical (composição, produção, curadoria algorítmica), buscando analisar: (a) transformações nas práticas criativas e nas concepções de autoria, originalidade e colaboração humano-máquina; (b) impactos da datificação e dos algoritmos de recomendação nos regimes de visibilidade e circulação de obras culturais, com atenção a assimetrias de gênero, raça e classe;

QUEM

Leonardo Foletto – Professor no Departamento de Comunicação e Artes da ECA/USP, na área de tecnologias da comunicação e inteligência artificial. Jornalista (UFSM), mestre em jornalismo (UFSC) e doutor em comunicação e informação (UFRGS), com pós-doutorado no LabCidade, FAU/USP. Coordenador do GEIA – grupo de pesquisa em IA e culturas digitais. Jornalista e doutor em Comunicação, trabalha com comunicação e cultura digital desde 2008 a partir do BaixaCultura (https://baixacultura.org). É integrante da Coalizão Direitos na Rede (https://direitosnarede.org.br/) e do Creative Commons Brasil (https://br.creativecommons.org). Integrante do coletivo editorial Tocaia (https://tocaia.info). Foi integrante da Casa de Cultura Digital São Paulo e Porto Alegre, dos coletivos Ônibus Hacker e Matehackers. Co-editor da coleção “Âncoras do Futuro” (Funilaria/BaixaCultura), que por enquanto lançou “Extinção da Internet” (2023), de Geert Lovink, e “Informática do Oprimido” (2025), de Rodrigo Ochigame; e da coleção Tecnopolítica, que publicou “A Ideologia Californiana” (2018), de Richard Brarbrook e Andy Cameron, e “Manifestos Cypherpunks”(2021), com a editora Monstro dos Mares – todos estes livros estão disponíveis para download gratuito e compra no site. Seu último livro é “A Cultura é Livre: uma história da resistência antipropriedade” pela Autonomia Literária/Fundação Rosa Luxemburgo, com prefácio de Gilberto Gil (2021). LattesLinkedinInstagramMastodon

Júlio Colabardini – Professor no Departamento de Comunicações e Artes da Escola de Comunicações e Artes (CCA) da ECA/USP. Possui Graduação e Doutorado em Música pela UNICAMP. Coordenador do GEIA – grupo de pesquisa em IA e culturas digitais. Investiga criticamente como tecnologias digitais, processos de plataformização e inteligências artificiais reconfiguram modos de criação, circulação e formação musical. Foi coordenador da Academia Arte de Toda Gente (FUNARTE/UFRJ, 2021–2025) e do Festival Internacional de Música em Casa (FIMUCA, 2020), além de professor da área de Educação Musical e Tecnologias na UFRN entre 2019 e 2025. LattesInstagram

Marciel Consani – Doutor em Ciência da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP, 2008), com Mestrado (IA-UNESP, 2003) e graduação em Artes/Música, possui Especialização em Tecnologia da Educação (PUC-SP, 1999) e Licenciatura Plena em Educação Artística (Centro Univ. Belas Artes de São Paulo, 1998). Pós-doutorado junto ao Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (IA-UNICAMP, 2013). Atualmente orienta e leciona no Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina (PROLAM/ USP) e atua como professor da Licenciatura em Educomunicação do Departamento de Comunicação e Artes (CCA-ECA/USP).
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Rafael Brasciani – é um artista de new media, live coder e pesquisador cujo trabalho investiga a interseção entre som, linguagem, sistemas algorítmicos e crítica midiática. Jornalista e músico, sua prática é impulsionada por uma profunda investigação sobre como a informação e a tecnologia mediam a experiência humana, a sociedade, a economia e a política. Com mestrado em Net Art e Cultura Digital, e atualmente doutorando em Humanismo Tecnológico na Academia de Belas Artes Santa Giulia (Brescia), Bresciani explora a contaminação da linguagem humana pelo domínio tecnológico como um fenômeno que molda ativamente a realidade, as normas sociais e as estruturas de poder em nosso mundo profundamente digitalizado. InstagramLinkedinMastodon

Sebastián Piracés-Ugarte – historiador formado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com ênfase em Antropologia. Músico, compositor e produtor, atua há mais de quinze anos na cena musical independente latino-americana como cofundador da banda Francisco, el Hombre, indicada ao Grammy Latino em 2017. Atualmente desenvolve a pesquisa de mestrado “Do DIY à IA: músicos independentes, plataformas digitais e a reconfiguração do trabalho cultural no Brasil”, investigando como artistas independentes incorporam ferramentas de inteligência artificial generativa em seus processos criativos, organizacionais e comunicacionais, articulando debates sobre plataformização, trabalho cultural e cultura digital no contexto brasileiro. Sua pesquisa mobiliza perspectivas dos estudos de comunicação, culturas digitais e neomaterialismo, combinando entrevistas qualitativas e autoetnografia a partir de sua trajetória no mercado musical independente. Paralelamente à atuação acadêmica, desenvolve o projeto solo Sebastianismos, além de atuar como palestrante e formador em temas relacionados à música independente, circulação cultural e tecnologias digitais. InstagramLattes