Pesquisadores do GEIA apresentam trabalho sobre mapas e cibernética em congresso internacional

No dia 25 de Agosto, nossos pesquisadores Leonardo Foletto e Rafael Bresciani participaram da ASC 2026 Conversational Confluence Conference, a conferência anual da American Society for Cybernetics, uma das mais importantes sobre o tema. A participação deles foi para a “Track 6 — Competing Cartographies”, com a apresentação do paper “Cartographies of Resistance: Deviant Mapping Against the Copy-of-the-Copy”. 

A proposta parte da premissa de que mapas nunca foram espelhos neutros, mas aparatos epistêmicos e ontológicos que representam simplificando, homogeneizando e excluindo — e que hoje se transformaram em algo mais penetrante: modelos de IA generativa que não apenas representam a realidade, mas mediam e tentam substituir nosso acesso a ela, transformando a representação em ambiente operacional onde a “cópia da cópia” circula sem origem estável e realimenta recursivamente novos outputs. A disjunção que Korzybski formulou entre mapa e território exige assim uma reformulação cibernética: o mapa não apenas falha em esgotar o real, ele o remodela por meio de loops de extração, geração de padrões e implementação. Ainda assim, contra a conclusão de Jean Baudrillard, o gap persiste, e é exatamente nele, entre a pretensão de totalidade do mapa e o excesso irredutível do território, que a resistência se torna possível. 

A partir daí o texto formula o problema sobre a questão cibernética e a ética: quem modela a realidade, sob que condições de visibilidade, consentimento e responsabilidade. E, após, apoiado na noção de confluência de Nego Bispo, pergunta como epistemologias diversas podem coexistir sem serem achatadas numa única cartografia extrativa, o  que abre as possibilidades para construir coletivamente cartografias fundadas em intimidade e reciprocidade, não em observação unilateral. Como catalisador prático, o trabalho analisa obras de live coding — Cópia & Desvio e a trilogia (r,s)aw poetry — que produzem fricção desde dentro do aparato (Flusser) e encenam o que os autores chamam de deviant mapping: habitar o aparato semiótico da representação para desviá-lo, produzindo uma multiplicidade de contra-cartografias que possam ser questionadas, revisadas e compartilhadas coletivamente.

O trabalho, em sua versão resumo expandido, pode ser visto aqui.