
O GEIA – Grupo de Estudos e Pesquisas em IA e Culturas Digitais (CCA/ECA-USP) apresenta o GEIA Experimenta, um ciclo de encontros públicos dedicado a práticas críticas e experimentais com inteligência artificial na comunicação e nas artes. A cada mês, o grupo recebe pesquisadoras, artistas e ativistas para apresentar e colocar em debate investigações em andamento que articulam reflexão teórica, experimentação técnica e criação. Os encontros acontecem em formato híbrido, presencialmente na ECA-USP e com transmissão on-line aberta, nas datas 02/09, 07/10, 04/11 e 02/12, sempre gratuitos e abertos ao público.
O ciclo começa em 2 de setembro, às 14h, com a oficina “El código es político: programando a la robota antifascista”, conduzida pela pesquisadora mexicana Irene Soria. Trata-se de uma atividade teórico-prática que retoma as origens da computação para desmistificar a programação e o seu suposto caráter “inalcançável” ou “de elite”. A proposta parte de perguntas simples e incômodas (quem escreve o código, como o escreve e para quê?) para, então, discutir as consequências sociais e políticas de decisões corporativas como o fechamento do código. Por meio de um exercício lúdico, as participantes “programam” a sua robota antifascista e, no processo, refletem coletivamente sobre como os algoritmos são construídos e sobre caminhos para (re)codificar as tecnologias que hoje nos controlam e excluem.

Irene Soria é Professora, pesquisadora, designer e Doutora em Estudos Feministas, ativista do software e da cultura livre no México. Atualmente é Presidenta da Assembleia de Associadas da coletiva Luchadoras.MX. Seu trabalho se concentra em promover a segurança digital, o software livre, a tecnologia e a cultura hacker, com foco especial na participação das mulheres na tecnologia. Irene foi representante líder da Creative Commons México e fez parte do Comitê Executivo da Creative Commons Global. É autora e organizadora do livro “Ética hacker, segurança e vigilância” (2016), bem como de diversos artigos acadêmicos e de divulgação relacionados à cultura digital e à tecnologia. Além disso, Irene foi palestrante e debatedora em diversas partes do México e em países como Portugal, Espanha, Brasil, Chile, Argentina e Colômbia, compartilhando seus conhecimentos sobre tecnologia, cultura livre e feminismo. Seu compromisso com a promoção da igualdade de gênero no âmbito tecnológico a tornou reconhecida como uma figura importante no movimento hackfeminista.
O encontro será híbrido: presencialmente na ECA-USP (prédio central, 2º andar, sala 218), com até 20 vagas, e com transmissão on-line aberta. A oficina de Irene Soria inaugura um ciclo que aposta na universidade como espaço público de mediação crítica e de experimentação coletiva em torno da IA: menos como ferramenta a ser adotada de forma acrítica e mais como fenômeno cultural, técnico, econômico e político a ser compreendido, questionado e reimaginado. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas neste link.
