3º Encontro: Estética Artificial, Lev Manovich e Emanuele Arielli

No terceiro encontro do GEIA, continuamos nossa leitura coletiva de Artificial Aesthetics: Generative AI, Art and Visual Media, de Lev Manovich e Emanuele Arielli, que, à despeito da posição pouco crítica dos autores em relação à IA, é um dos trabalhos mais instigantes sobre cultura e estética digitais disponíveis hoje (download gratuito em inglês: https://manovich.net/index.php/projects/artificial-aesthetics).

Desta vez, discutiremos os capítulos 4, 5 e 6, que aprofundam questões centrais para quem pesquisa, ensina ou cria com IA generativa.

Cap. 4: IA e os mitos da criatividade (Manovich): O capítulo desmonta algumas das ideias mais repetidas sobre arte e criatividade no debate sobre IA — como a noção romântica de que o artista cria a partir do nada, movido apenas pela intuição. Manovich mostra que essa concepção tem origem histórica precisa (o Romantismo europeu do século XIX) e que ela molda, de forma problemática, como avaliamos o “progresso” das IAs. Se criatividade é o critério supremo para medir a inteligência artificial, é porque confundimos arte com criatividade humana pura. O capítulo propõe ampliar esse horizonte: a IA não precisa “imitar” a arte do passado para ser culturalmente relevante — e os critérios que usamos para julgá-la precisam ser revistos.

Cap. 5: Sete argumentos sobre imagens de IA e mídia generativa (Manovich): Escrito a partir de uma experiência intensa com ferramentas como Midjourney e Stable Diffusion, este capítulo apresenta sete teses sobre o que torna a mídia generativa visual algo genuinamente novo na história dos meios. Para Manovich, estamos diante de uma revolução comparável à invenção da fotografia ou à adoção da perspectiva linear no Renascimento. Entre os argumentos mais provocadores está a discussão sobre o que chamamos de “IA” – um conceito cultural em constante deslocamento que, segundo Manovich, sempre que uma capacidade humana é automatizada com sucesso, deixamos de chamá-la de IA. Há também uma reflexão sobre como as redes neurais generativas treinam sobre a produção cultural acumulada da humanidade e, ainda assim, podem gerar artefatos genuinamente novos, o que gera uma tensão produtiva entre memória histórica e invenção.

Cap. 6: Percepção humana e o olhar artificial (Arielli): Se as máquinas “veem”, veem como nós? Arielli explora as diferenças e aproximações entre visão humana e visão computacional a partir da psicologia da percepção. O argumento central é que percepção nunca é inocente: ela é moldada por conhecimento, cultura e expectativas. A famosa ideia do “olho inocente” de Ruskin – a visão pura, sem interpretação – é justamente o que os sistemas artificiais parecem ter, mas que os humanos nunca tiveram de fato. O capítulo examina ilusões perceptuais, os princípios da Gestalt, e o problema de como sistemas de IA que geram conteúdo para humanos precisam modelar a percepção humana, incluindo seus vieses e distorções, para serem esteticamente eficazes.

Nos vemos na terça, 29/4, às 10h. Quem ainda não se inscreveu por email, só clicar aqui, que enviaremos o link.